domingo, 28 de fevereiro de 2010

Parolagem da Vida


Como a vida muda.
Como a vida é muda.
Como a vida é nuda.
Como a vida é nada.
Como a vida é tudo.
Tudo que se perde
mesmo sem ter ganho.
Como a vida é senha
de outra vida nova
que envelhece antes
de romper o novo.
Como a vida é outra
sempre outra, outra
não a que é vivida.
Como a vida é vida
ainda quando morte
esculpida em vida.
Como a vida é forte
em suas algemas.
Como dói a vida
quando tira a veste
de prata celeste.
Como a vida é isto
misturado àquilo.
Como a vida é bela
sendo uma pantera
de garra quebrada.
Como a vida é louca
estúpida, mouca
e no entanto chama
a torrar-se em chama.
Como a vida chora
de saber que é vida
e nunca nunca nunca
leva a sério o homem,
esse lobisomem.
Como a vida ri
a cada manhã
de seu próprio absurdo
e a cada momento
de novo a todos
uma prenda estranha.
Como a vida joga
de paz e de guerra
povoando a terra
de leis e fantasmas.
Como a vida tocas
eu gasto realejo
fazendo da valsa
um puro Vivaldi.
Como a vida vale
mais que a própria vida
sempre renascida
em flor e formiga
em seixo rolado
peito desolado
coração amante.
E como se salva
a uma só palavra
escrita no sangue
desde o nascimento:
amor, vidamor!


Carlos Drummond de Andrade

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Solidão


Acordo de um pesadelo que afinal é a realidade.

Quero chorar, gritar, pedir que me acordem para uma realidade feliz.

Mas não posso porque tenho quem me oiça.

E mesmo que pudesse não adiantava.

Nada mudaria.

Não ter um ombro onde se possa chorar livremente é uma forma de solidão.

Sinto-me irremediavelmente

.




Estou com a Lua

Estou com uma neura inacreditável hoje.

E é que nem é com os outros.

É mesmo comigo.

Até me irrita.

Tenho cá para mim que isto é falta de mimo.

Shiiiiiiiu...



Não digam a ninguém...

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

GANHEI!!


500.000€ no EuroMilhões!!!

(é mentira mas hei-de escrever isto aqui tanta vez que um dia há-de sair)


Nembemnemmalnemqueropensarnisso


Não sei se estou bem ou mal.
Na verdade, tento levar a minha vida o melhor que consigo e abstrair-me das forças que constantemente me tentam levar para baixo.
Elas puxam puxam mas eu não vou.
Não vou.
Não vou.
A verdade é que às vezes me apetece ir.
Apetece-me ir lá pra baixo e ficar lá.
Só para descansar disto que é fingir que estou muito bem quando na realidade não me sinto efectivamente leve.

E o meu Pai está em mim cada vez mais.

Ao contrário do que me diziam: "isso com o tempo atenua", comigo está a ser ao contrário.
Fez anteontem 6 meses.
6 meses é o tempo que consideram os entendidos ser o suficiente para sofrer o luto.

Mas comigo não foi assim.

Agora é que me sinto a ir abaixo mais do que no início.
Agora é que estou a ter que lutar todos os dias para não chorar, para não me entregar à dor de o querer aqui e não o poder ter nunca mais.
Penso nele constantemente e tenho muitas vezes dificuldade em conter uma lágrima ou outra.
Sou é muito boa a disfarçar.
E muito boa a desviar o pensamento.
Porque se me deixo envolver pelas recordações... não sei sinceramente o que me acontece nem para onde vou.
Não me posso dar ao luxo de ir abaixo.
Porque tenho quem dependa de mim.

E não deixo de sonhar nem de pensar nas coisas boas que posso fazer e dar.
Mas esta dor não me deixa sentir contente ou feliz sem ao mesmo me sentir imensamente triste.
E tenho para mim que a minha vida vai ser para sempre assim.
Uma luta interior constante entre o vazio e a tentativa de não me deixar ir abaixo.
Acho que vai ser eterno, assim como é eterno o amor que tenho pelo meu Pai.

No meu dia-a-dia estou quase sempre de cara alegre, bem disposta e ninguém diz o q ue vai cá dentro.Mas eu sei que estou fechada, caidinha, tristinha, pequenina, a precisar de miminho, a precisar de um ombro, de um abraço, de um carinho, de um conforto por mais pequenino que seja.

E o meu amigo VB diz-me muitas vezes: "tu és forte".
Se calhar não sou assim tão forte como pareço.
Disfarço é muito bem.

Não sei bem como estou. Sei que tenho muito medo que de um dia para o outro as minhas forças acabem e me levem para um sítio qualquer que não conheço.

Tenho medo que me dê um "bac" qualquer e que não consiga sair dele sozinha.
Mas até lá vou andando como até aqui:
Sol por fora, Lua por dentro.

Como costumo dizer, acho que estou nembemnemmalnemqueropensarnisso.



Gostava de encontrar uma palavra que definisse exactamente o que sinto neste momento.
Mas não consigo.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Boboseiras #1 - Alberto João Jardim


"...a calamidade era declarar o estado de calamidade mesmo na calamidade..."

(Acham que vale a pena comentar? SORTEEEEEEEEEEEEE!!!)


Ó B*...

... então?

O Porto ganhou!!!

Não era suposto ja teres um post sobre isso no teu blog??

'Tô-te a estranhar!!!

;)